Recomposição de Mata Atlântica em dois assentamentos da Zona da Mata Norte de Pernambuco – 1ª Etapa

Por mais de 500 anos a Mata Atlântica tem sofrido intensas ações antrópicas. Estima-se que antes da chegada dos colonizadores portugueses o bioma tinha uma área de 1,3 milhões de km2, o que correspondia a 15% do território brasileiro, ocupando quase toda a faixa litorânea.

A devastação da Mata Atlântica teve início com a exploração do Pau brasil ainda na fase pré-colonial. Em seguida continuou com a implantação da cultura canavieira que permanece até hoje. No último século, com o crescimento da população urbana e a industrialização, a pressão sobre os recursos naturais nesta região tem se mantido muito intensiva.

 

Segundo dados divulgados pelo Atlas dos Remanescentes da Mata Atlântica (2014), nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 18.509 km2 (o que equivale a 12 cidades do estado de São Paulo), restando 12,5% dos remanescentes acima de 3 ha e apenas 8,5% acima de 100 ha. No período de 2012-2013 houve 239 km2 de desmatamento, o que gerou incremento de 9% na supressão vegetal nativa comparado ao período de 2011-2012.

 

Apesar do seu histórico e intenso desmatamento, atualmente a Mata Atlântica abriga cerca de 20.000 espécies vegetais que são de extrema importância a nível mundial, pois muitas são endêmicas e/ou ameaçadas de extinção.

 

A riqueza da Mata Atlântica oferece importantes serviços ambientais que beneficiam direta e indiretamente aproximadamente 120 milhões de pessoas que injetam na economia 70% do PIB brasileiro. Dentre as funções mais significativas para a sociedade estão a regulagem do fluxo dos mananciais, fertilidade do solo, equilíbrio climático, proteção das escarpas e encostas das serras, paisagens e o valor histórico e cultural do bioma.

 

O novo Código Florestal (Lei 12.651/2012) criou o CAR (Cadastro Ambiental Rural) na busca de promoção da regularização ambiental das propriedades rurais no país. Esse cadastro surgiu como forma de controlar, monitorar e combater o desmatamento em propriedades rurais e para o seu planejamento ambiental e econômico.

 

A maior parte dos assentamentos da Zona da Mata de Pernambuco não tem sua situação ambiental regularizada. Na maioria das vezes, o imóvel antes de ser vendido ou desapropriado já possuía um passivo ambiental que foi passado para os novos moradores. Entre as exigências estão a averbação da Reserva Legal e a conservação das áreas de preservação permanente.

 

As áreas que deveriam ser conservadas, muitas vezes, são usadas para atividades agropastoris ou como depósitos a céu aberto para lixo da comunidade, reduzindo a cobertura florestal, contaminando o solo e o lençol freático, facilitando os processos erosivos e poluição e assoreamento dos cursos d’água.

 

Somado a isto, está a fraca conscientização da população nas questões ambientais. A ideia de exploração inconsequente dos recursos naturais é histórica e tem passado de pai para filho durante séculos.

 

Esse projeto tem por principal objetivo recuperar as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal em assentamentos da Zona da Mata de Pernambuco, visando minimizar os impactos ambientais sofridos pela Mata Atlântica ao longo de sua história de ocupação. Para garantir a continuidade das atividades pós-projeto, a educação ambiental será realizada com o intuito de conscientizar a população local sobre a importante relação da conservação do meio ambiente e a qualidade de vida.

APNE - Associação Plantas do Nordeste 

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