ANO 5 - Nº 05 | Recife, 17 de dezembro de 2008
 
 
Manejo Florestal em Assentamentos Rurais do Semi-árido Pernambucano

    O manejo florestal sustentável vem se consolidando na cadeia produtiva dos assentamentos do Sertão Pernambucano como uma alternativa de renda para o período seco. Atualmente são 13 planos de manejo florestal implementados em assentamentos na caatinga dos quais 12 já iniciaram o manejo sustentável com a produção de lenha, carvão, e outros produtos florestais. Apenas um empreendimento aguarda a liberação da licença ambiental e autorização para exploração do 1.º talhão.
    A área total dos 13 imóveis soma 8.693 ha, dando suporte a 256 famílias, uma média de 34 ha/família. Desse total, 2.351 ha (27%) constituem os 6 empreendimentos da Política Nacional do Crédito Fundiário (PNCF) e 6.342 ha (73%) nos 7 projetos de assentamento da Reforma Agrária executada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
    O potencial florestal, tanto para uso sustentável/conservação quanto para preservação ambiental nos assentamentos (cerca de 58% da área total) é traduzido em números expressivos e reais. São aproximadamente 1.800 ha (21%) de Reserva Legal demarcada com 475 ha averbados (PNCF) e 1.325 ha com Termo de Compromisso (INCRA/CPRH) registrado em cartório. As Áreas de Preservação Permanente somam um total de 1.031 ha (12%). A área total sob regime de manejo é de 2.200 ha (25%). Dos demais 3.651 ha (42%), 18% são constituídos por vegetação caatinga-arbustiva sem uso atual definido, 22% são destinados à agricultura e pastagem e 2% constituem áreas com infra-estrutura.
    Anualmente serão manejados aproximadamente 147 ha de caatinga (1,6% da área total dos assentamentos). A exploração se dará exclusivamente no período seco, quando não é possível desenvolver a atividade agrícola.
    Estima-se a geração de trabalho em 8.000 dias.homens/ano e um rendimento bruto (RB) anual na ordem de R$ 230.000,00 (R$ 1.565,00/ha.ano). Se considerarmos o pagamento da mão-de-obra (R$15,00/dia), (cerca de R$ 120.000,00), a estimativa para o lucro líquido ficará em torno de R$ 110.000,00 (R$ 748,00 ha/ano) para os 13 assentamentos. Lembrando sempre que toda a mão-de-obra será dos assentados e a sua respectiva remuneração ficará no próprio assentamento. Em condições otimistas de produção, o RB gerado com a cultura do milho no semi-árido nordestino gira em torno dos R$ 200,00/ha. Logo, o manejo florestal sustentável da caatinga se apresenta também como alternativa atrativa de geração de renda na região.

Maiores informações: Site dos Assentamentos
Por: João Paulo Ferreia
     
Certificação Florestal – IMAFLORA visita assentamento em Pernambuco.   APNE participa em Congresso Internacional na Colômbia


    A APNE e IMAFLORA com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (Projeto GEF Caatinga) promoveram nos dias 17 e 18/11/2008 uma visita técnica para avaliação do potencial do manejo florestal comunitário da caatinga com vistas ao processo de Certificação Florestal Padrão Interino SmartWood e FSC . O empreendimento rural comunitário visitado, pertence à Associação dos Rendeiros e Meeiros do Brejinho (SIG), localizado em Betânia-PE a 410 Km do Recife.
    A avaliação do manejo foi realizada em dois momentos: 1. visita à área de manejo e acompanhamento das técnicas de exploração e produção de carvão em fornos melhorados e 2. apresentação do processo de certificação e avaliação da organização comunitária. Contou com a participação dos assentados, da equipe técnica da APNE e da Patrícia Cota Gomes - Coordenadora de Certificação Florestal Comunitária e PFNMsdo IMAFLORA.
    Em breve o resultado da visita técnica estará disponível delineando o potencial do manejo florestal para certificação.

Por: João Paulo Ferreira

 

    No período de 9 a 13 de novembro de 2008, a APNE participou no Simpósio “Pesquisa e manejo no Semi-árido do Brasil” durante o III Congreso Internacional de Ecosistemas Secos em Santa Marta –
Colômbia. O Simpósio foi organizado e apoiado pela FAO e o Projeto GEF Caatinga e reuniu 4 palestrantes do Nordeste do Brasil com temas sobre a caracterização e o uso sustentável da Caatinga. A Profa. Maria Diva Borges-Nojosa da Universidade Federal do Ceará apresentou a Avaliação da Herpetofauna e Mastofauna de duas Áreas de Caatinga sob Manejo Florestal Sustentável no Brasil – resultados do projeto de pesquisa implementado em colaboração com a APNE e o Projeto GEF Caatinga. O Prof. Everardo Sampaio da Universidade Federal de Pernambuco proferiu uma explanação sobre A Caatinga – Uso e potencialidades. O Efeito da Altura de Corte no Controle da Jurema Preta (Mimosa tenuiflora WILD.) foi apresentado pelo Prof. José Morais Pereira Filho (Universidade Federal de Campina Grande - UFCG). A palestra final foi apresentada por Frans Pareyn (Associação Plantas do Nordeste - APNE) e tratou do Comportamento da Caatinga sob Manejo Florestal. No evento foi possível estabelecer diversos contatos com outros pesquisadores e estudiosos de ecossistemas secos na América Latina.

Por: Frans Pareyn
     
NOVO PORTAL DO CENTRO NORDESTINO DE INFORMAÇÕES SOBRE PLANTAS - CNiP/APNE


    O Centro Nordestino de Informação sobre Plantas da Associação Plantas do Nordeste (CNIP-APNE) vem trabalhando a sistematização dos conhecimentos e disseminação de informações técnico-científicas dos recursos vegetais do bioma Caatinga e os seus usos. A partir de diversas fontes de informação busca a integração das diferentes bases de dados permitindo o uso aplicado e análises a partir do cruzamento das varias fontes específicas.
    O Centro objetiva atender tanto usuários não-especializados quanto pesquisadores e profissionais em busca de informação. Neste sentido, são construídos modelos que possam atender aos anseios de ambos, tanto em termos de informação disponibilizada (informação prática - informação científica) como em termos de ferramentas (sistema de busca e acesso fácil – sistema SIG mais avançado).
    A integração e o cruzamento de informações de diferentes fontes ou bases nem sempre é uma ação simples. Apesar da tecnologia, através dos avanços acelerados na área de informática, ter facilitado estas tarefas, normalmente o seu uso exige um conhecimento adequado de ferramentas de manipulação de dados.
    O sistema de informação construído no CNIP como centro de referência para o uso sustentável dos recursos naturais da Caatinga, é baseado em três componentes:

  • bancos de dados temáticos;
  • Portal integrado;
  • Sistema de Informação Geográfico (SIG).
    Os bancos temáticos foram formulados para atender demandas diferentes de usuários e de projetos. Alguns possuem vários modelos de disponibilização dependendo do nível do usuário. Na maioria das vezes é possível integra-los facilitando a busca da informação.

Endereço para consulta: www.cnip.org.br

Por: José Luiz Vieira


   

A APNE Pesquisando a Caatinga em Prol da Conservação e do Manejo Florestal Sustentado

Este livreto apresenta as atividades metodológicas e os resultados preliminares do Projeto Madeiras, que foi desenvolvido em parceria com o Jardim Botânico de Kew e o IPA com o apoio da Clothworkes Foundation. (versão disponível em PDF - clique aqui para baixar!)

Participação Oficina Temática Ambiental – SRA/MDA  


    A APNE participou nos dias 13 e 14 de novembro da Oficina Temática Ambiental no âmbito do Programa Nacional do Crédito Fundiária realizada pela Secretaria de Reordenamento Agrário. Estavam presentes sete Unidades Técnicas Estaduais (PE, PB, BA, PR, SE, TO, PI), consultores do programa, as Delegacias Federais do MDA de Pernambuco e São Paulo, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Pernambuco (FETAPE), a Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar (FETRAF Brasil), a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado (CPRH), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (SECTMA), Associação Plantas do Nordeste (APNE) e o representante do Ministério do Meio Ambiente.
    Na ocasião foi apresentada a experiência atual da APNE na implementação do manejo florestal da caatinga em empreendimentos rurais do Programa Nacional do Crédito Fundiário, sua viabilidade econômica e aspectos sociais relacionados.

Por: João Paulo Ferreira

 
 
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