ECORREGIÕES DA CAATINGA

Na maior parte de sua extensão, o bioma Caatinga é caracterizado por um clima quente e semi-árido, fortemente sazonal, com menos de 1.000 mm de chuva por ano, distribuídos quase todos em um período de três a seis meses. Os totais de chuva variam muito de ano para ano e, em intervalos de dez a vinte anos, caem a menos de metade da média, às vezes durante três a cinco anos seguidos, fenômeno conhecido como a "seca". Há uma maior incidência de secas ao norte do rio São Francisco do que ao sul, onde as chuvas são mais bem distribuídas ao longo da estação chuvosa (ver mapas de clima e MPC). Contrastando com as precipitações baixas e erráticas, a evapotranspiração potencial é sempre alta, entre 1.500 e 2.000 mm por ano. Como resultado, a vegetação está submetida à deficiência hídrica sazonal, agravada nos anos de seca (clima BSh de acordo com a classificação de Köppen).

Os solos da região semi-árida têm uma distribuição espacial complexa, formando um mosaico muito retalhado e com tipos muito diferentes. Eles vão dos solos rasos e pedregosos associados à imagem típica do sertão seco coberto de cactáceas, aos solos arenosos e profundos que dão lugar às caatingas de areia e a grandes vazios demográficos, como o Raso da Catarina. Podem ser de baixa fertilidade, como o da chapada sedimentar da Ibiapaba, ou de alta fertilidade, como o da chapada cárstica do Apodi. As centenas de anos de sobre-uso agropecuário, desmatamentos e onipresença de caprinos, levaram à extensa degradação dos solos, e a processos de desertificação em algumas áreas (ver imagem de satélite).

Apesar de suas condições severas, o bioma Caatinga apresenta uma surpreendente diversidade de ambientes, proporcionados por um mosaico de tipos de vegetação, em geral caducifólia, xerófila e, por vezes, espinhosa, variando com o mosaico de solos e a disponibilidade de água. A vegetação considerada mais típica de caatinga encontra-se nas depressões sertanejas: uma ao norte e outra ao sul do bioma, separadas por uma série de serras que constituem uma barreira geográfica para diversas espécies. Mas os diferentes tipos de caatinga estendem-se também por regiões mais altas e de relevo variado, e incluem a caatinga arbustiva a arbórea, a mata seca e a mata úmida, o carrasco e as formações abertas com domínio de cactáceas e bromeliáceas, entre outros.

Nosso desafio foi tentar entender como todos estes mosaicos estão organizados no bioma, e quais seriam as características e os fatores controladores que diferenciariam uma ecorregião da outra, procurando definir as grandes subdivisões de biodiversidade da caatinga. Os resultados deste primeiro esforço sugerem que este bioma deve ser subdividido em oito ecorregiões, e que alguns ajustes devem ser feitos em seus limites. As oito ecorregiões identificadas são:

  1. Complexo de Campo Maior
  2. Complexo Ibiapaba - Araripe
  3. Depressão Sertaneja Setentrional
  4. Planalto da Borborema
  5. Depressão Sertaneja Meridional
  6. Dunas do São Francisco
  7. Complexo da Chapada Diamantina
  8. Raso da Catarina