ANEXO 1 - PROPOSTA DE AJUSTES DOS LIMITES DO BIOMA
A análise do bioma Caatinga para sua subdivisão em ecorregiões foi iniciada com base nos limites externos do bioma tais como reconhecidos pelo PROBIO (www.biodiversitas.org/caatinga). Entretanto, durante as discussões sobre as características e limites de cada região da caatinga, observou-se que algumas áreas que eram consideradas como parte do bioma Cerrado deveriam ser incluídas nos limites do bioma Caatinga, por possuírem fortes características das formações deste bioma, e apresentarem pouca semelhança com os sistemas junto aos quais estavam incluídas. Da mesma maneira, fica aqui sugerida a exclusão de uma área originalmente considerada parte do bioma, por não possuir características de caatinga, mas podendo seguramente ser associada aos sistemas vizinhos. Incluímos ainda nesta sessão uma observação quanto ao tratamento dado aos brejos de altitude (enclaves de Mata Atlântica) neste Seminário.
Ao final desta seção pode-se consultar um mapa indicando as áreas propostas para inclusão e exclusão do bioma, que estão descritas abaixo, e a localização dos enclaves de Mata Atlântica.
1. Área sugerida para exclusão do bioma Caatinga:
Nome: Zona do Babaçu
Localização, limites e tamanho: Área de 15.260 km2, localizada no extremo noroeste do bioma Caatinga tal como reconhecido pelo PROBIO, inteiramente no Estado do Maranhão. Limita a sudoeste com o rio Parnaíba, e a leste com as ecorregiões da caatinga do Complexo de Campo Maior e da Depressão Sertaneja Setentrional. A oeste e sul encontra o restante da área de floresta de babaçu e cerrado. Ao norte limita com áreas de mangue.
Justificativa para exclusão: A área contém um mosaico de floresta de babaçu com floresta estacional, às vezes associada com buriti (Mauritia flexuosa L. F.) e Euterpe sp. É uma área de transição de babaçu (Attalea speciosa) para cerrado, não para caatinga. O caráter caducifólio não é suficiente para incluir este sistema no bioma Caatinga. A área apresenta ainda uma precipitação considerada alta para o semi-árido (aproximadamente 1.500-2.000 mm/ano).
Esta área de transição deveria estar incluída como sistema associado ao bioma Cerrado, talvez como parte da área com predominância de babaçu. Na revisão das ecorregiões brasileiras coordenada pelo WWF (revista Galileu no. 108, julho de 2000), esta área foi considerada como parte da ecorregião Florestas de Babaçu do Maranhão, fora do bioma Caatinga.
2. Áreas sugeridas para inclusão no Bioma Caatinga
2.1. Caatinga do oeste do São Francisco
Localização, limites e tamanho: Área de 80.060 km2, quase toda a oeste do rio São Francisco e ao sul do rio Preto, nos Estados da Bahia e Minas Gerais. Esta área contém porções das ecorregiões da Depressão Sertaneja Meridional e Dunas do São Francisco, limitando a oeste com o início do Planalto Central e o cerrado.
Justificativa para inclusão: Esta área é parte integrante da Depressão Sertaneja, com vegetação típica de caatinga. A caatinga aqui não é delimitada pelo rio São Francisco, mas sim pelo Planalto Central e cerrado, que iniciam mais a oeste que os limites dados ao bioma Caatinga pelo PROBIO.
2.2. Chapada Diamantina
Localização, limites e tamanho: Área de 30.340 km2, localizada no centro-sul do bioma Caatinga, inteiramente circundada pela Depressão Sertaneja Meridional.
Justificativa para inclusão: Apesar de conter, além de caatinga, cerrado, campos rupestres, e matas seca e úmida, a Chapada Diamantina como um todo compõe um conjunto com bastante influência de deficiência e irregularidade de chuvas. Tal situação condiciona a existência de grandes extensões de caatingas bem caracterizadas, assim como propicia a entrada e permanência de elementos da caatinga, muitas vezes até em altitudes em torno de 1.000 m. A área é inteiramente rodeada pela Depressão Sertaneja Meridional (o que condiciona uma caatinga muito típica), ao contrário da parte da Serra do Espinhaço de Minas Gerais, que é inteiramente rodeada por cerrado. A Chapada Diamantina é parte integrante do bioma Caatinga, contendo inclusive diversas nascentes de rios que correm para a Depressão Meridional.
2.3. Outras Áreas de "Cerrado" na Depressão Sertaneja Meridional
Localização, limites e tamanho:
- Baixios de Irecê: área com 6.630 km2, a noroeste da Chapada Diamantina (dentro do "Y"), inteiramente circundada pela Depressão Sertaneja Meridional.
- Área de Gentio do Ouro: área com 1.293 km2, na ponta oeste da ecorregião da Chapada Diamantina.
- Área de Caetité: área com 12.560 km2, a sudoeste da Chapada Diamantina e também inteiramente circundada pela Depressão Sertaneja Meridional.
Justificativa para inclusão: Os Baixios de Irecê e a área de Gentio do Ouro compõem áreas com solos de formação cárstica, cobertos indubitavelmente por caatinga. A área de Caetité contém caatinga com manchas de cerrado nas partes altas. Esta última é uma área ecotonal entre caatinga e cerrado, mas tem processos ecológicos que a integram à caatinga (integração de espécies). A serra de Caetité é uma continuação das serras de Minas Gerais cuja inclusão no bioma Caatinga foi sugerida.
2.4. Área do Corredor Serra da Capivara - Serra das Confusões
Localização, limites e tamanho: Área com 1.249 km2, dentro da ecorregião do Complexo de Ibiapaba - Araripe, no Estado do Piauí.
Justificativa para inclusão: Área de carrasco e transição entre caatinga e cerrado, integrada à ecorregião do Complexo Ibiapaba - Araripe.
3. Brejos de Altitude (Enclaves de Mata Atlântica)
Localização, limites e tamanho: São nove áreas de tamanhos variados, localizadas no norte e sul do Ceará, e leste da Paraíba, Pernambuco e Bahia, que pertencem ao bioma Mata Atlântica.
Tratamento neste seminário: Estas áreas foram consideradas como partes de ecorregiões distintas (Brejos de Altitude do Nordeste, Florestas do Interior de Pernambuco e Florestas do Interior da Bahia) no seminário do PROBIO para a Mata Atlântica. Entretanto, apesar das ligações florísticas com a mata atlântica, estão dentro da área de domínio da caatinga e sofrem influência dela. Optamos por considerar estas áreas como sistemas particulares inseridos nas ecorregiões em que estão localizados, sem dar destaque a eles dentro das descrições das ecorregiões da caatinga. Este trabalho se refere genericamente a essas áreas como "brejos" ou "brejos de altitude", e nos mapas aqui incluídos foram representados por vazios ("buracos") dentro das ecorregiões.
As estratégias de conservação desses sistemas devem ser desenvolvidas em cooperação entre os biomas Caatinga e Mata Atlântica.
Enclaves de Mata Atlântica:
N° no mapa Nome (ou região) Tamanho (km2) 1 (Serra da Ibiapaba / Ubajara, CE) 1.958 2 (Sobral, CE) 562 3 (Itapagé, CE) 990 4 Serra de Baturité, CE 870 5 (Crato, CE) 966 6 Brejo Paraibano, PB 791 7 (Camalaú, PB) 626 8 Brejo da Madre de Deus, PE 455 9 Serra da Jibóia, BA 743